Chocolates e amor. Um caso a se pensar

O branco se deixa levar pelo amargo do preto e o preto perde gradualmente sua essência para o doce do branco, os dois se misturam em algo homogêneo com sabor peculiar. Algo é percebido: o amargo/doce sabor é vorazmente cortado pelo sal que escorre com o cálido suor. Chistes lançados, o branco atenta, o preto cede. Gracejos, os sabores oscilam, línguas vulgares apresentam-se, aquecem-se, é só troca de calor... Troca, mistura, vai e vem. Suja, escorre, mancha, muda, junta, obscurece. Suaves pinceladas de preto, e o branco se foi, um é sobreposto ao outro e o sabor já não é mais o mesmo. O que era doce, agora é facilmente transformado em amargo, e o amargo, anteriormente rejeitado, agora é ansiado mais do que tudo, mais do que o doce, mais do que o mais incrível doce. O preto ama o branco, ele o aceita como ele é, o branco ama o preto, ele também o aceita, porém, o amor implica em maleabilidade, e isso vem involuntariamente, por isso ocorre à mutação entre os sabores, a miscigenação entre os mesmos, a polimerização dos extremos em meios. Colorir, degustar, oscilar, refletir e absorver. Preto e branco, o amor é arte em duas palavras.

Nem sempre...

Nem sempre vamos ver o sol, nem sempre vamos ter as estrelas.

Nem sempre a estrada longa, nem sempre.

Nem sempre os sonhos vão ser pesadelos, nem sempre o mar será de ondas fortes.

Nem sempre será segunda feira, Nem sempre.

Nem sempre os gestos serão os melhores, nem sempre a caridade será reconhecida.

Nem sempre o amor será correspondido, nem sempre.

Nem sempre, teremos o sempre, que será sempre pra onde for.

Amor de verdade

Amor de verdade é para poucos, muitos morrem sem nunca ter experimentado a sensação de se dedicar verdadeiramente a alguém e receber em troca a mesma medida em sentimento.

Juliana da Costa Soares

Amarras libertas

Bastaria às pessoas serem mais sinceras, honestas e humildes, que veríamos comportamentos maravilhosamente diversificados, personalidades espontaneamente interessantes, equívocos rapidamente resolvidos, decisões amplamente mais libertas, preconceitos instantaneamente eliminados e atitudes surpreendentemente menos egoístas.

Vivenciar um grande amor

"Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor...

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor...

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor...

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor..."

Alguns trechinhos do Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio.

Nunca amamos alguém.

Nunca amamos alguém.
Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém.
É um conceito nosso - em suma, é nós mesmos- que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor.
No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho.
No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa.(...)
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade.
No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos.
Dizem os dois 'amo-te' ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada uma quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a atividade da alma. (...) Hoje não consigo enxergar o "amor" como antes, em sua plenitude, simplesmente belo, indispensável como o ar que respiramos... Desilusão??? Ou simplesmente não era o "amor" em sua plenitude, simplesmente belo, indispensável como o ar que respiramos???

Aprenda

Talvez você não goste, não aprove, mas eu quero aproveitar o marasmo que em mim agora reina, e peço que me acompanhe, pois igualmente cansei de solidão, e só você será capaz de reprimi-la. Você pode,você deve, tenha energia, tenha calma, paciência, aprenda a poder, a ser capaz, a reter... Aprenda... Mantenha-me, sacie-me, segure-me com firmeza, e mantenha-me em seu poder, conserve-me e tudo isso será recíproco, será mútuo, pois o que eu recebo, eu repasso, eu reflito. Portanto, sorria e me chame de meu amor, pode me chamar de amor, de meu bem, chame-me como quiser, porque eu sou sua e você é minha, tão óbvio quanto três é igual a sete.

Devaneio

Talvez pareça um devaneio, talvez pareça contrário a tudo que foi dito anteriormente, mas eu posso ter convicção de algumas poucas coisas, talvez eu possa organizá-las, talvez eu possa dispô-las em seus respectivos porta-retratos... Talvez eu possa posicioná-las na estante. Minha estante tem olhares, que penetram e que vasculham, tem sorrisos que reluzem, tem gestos significativos, e que por mais que não vão de encontro ao meu palato, são facilmente distinguidos por seu doce sabor. O simples fato de colocar suas iniciais em meus dedos pode parecer pífio, porém, por mais escárnio que seja...

Pleno de tudo

"...Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse pleno de tudo."

Beleza invade

Tudo tão vivo como as centenas de declaração que agora faço.
Jogarei limpo. Eu sempre precisei de sonhos eternos, então não esqueça deles. Venha, me dê carinho, deixa tua mão na minha. Enquanto sua beleza invade e recruta a minha. Nas eternas temporadas felizes de frio, apenas fique comigo.
Me desculpa, por deixar meu egoísmo as vezes tomar conta, mas com relação a você, eu sou sim egoísta, não divido.