
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer


Quando chega o tempo que tudo se estraga, onde tudo que nasce morre, onde começa e acaba como um piscar de olhos. Me chamaram pra sair essa noite, que tal uma vodka pra acalmar os ânimos?
Pode ser que seja necessário varias vodkas pra dar aquela animada. Isso é reflexo da tristeza, ou solidão que é o óbvio. Meus amigos andam falando que to me tornando “jovem ranzinza”.
Ando tão sem rumo que fujo dos assuntos mais importantes da minha vida, eu ainda chamo de vida, claro que ta ressecada mas não me deixa querida, não me abandona não. Me espera que eu vou ali tomar umas doses de vodka e volto a falar com você

Hoje no meu quarto, escuro, frio, nariz escorrendo, lagrima salgada. Sentindo a nostalgia aflorar na pele. Olhos fechados, você aqui comigo (em pleno pensamento) me abraçando e falando que tudo não passou de um pesadelo cruel e finito. As vezes passa, as vezes volta, e continuo nessa gangorra disparada.
Sempre precisei de um pouco de atenção [...]
Esse é o nosso mundo, o que é demais nunca é o bastante, a primeira vez é sempre a última chance.
Já que não te tenho por perto eu vou tomar um sorvete para alegrar o meu dia, já que você não veio na mala eu vou dormir na sala pra mudar a rotina. Hoje ficou tarde pra ligar...
Ás vezes me canso até andar na rua e respirar, desatando a garganta que aperta de lembrar que a saudade é sua. Eu não tenho tempo pra ficar questionando a vida, posso até ousar e reinventar, numa outra saída.
Se quiser tentar adivinhar o que eu guardo aqui no peito não se acanhe de falar, é o seu direito.

Eu sou desses que acreditam que pra pode amar alguém você tem que conviver. É meio besta achar que você se apaixonou a primeira vista, porque isso é ilusão. A primeira vista você se interessou pelo físico, pela beleza e você não vai conviver só com a beleza o resto da vida. Pra você ter o amor da sua vida, você tem que conhecer e se agradar dos defeitos.
É meio normal isso de passar o dia bem, conversando com todo mundo, sorrindo. Quando chega a noite, na hora de ficar só, eu e meu pensamento, eu e minhas recordações, eu e minha mágoa. É uma dor forte no peito, uma dor parecida com a dor de quando você prende o dedo na porta de casa sabe?
A lágrima chega a descer de tanto aperto. A diferença é que o dedo preso na porta eu posso chamar alguém pra me socorrer, pra dar uma ajuda qualquer, e essa dor não, essa dor eu tenho que agüentar só, entende? Ou isso é muito complexo pra você?
Não existe ajuda possível, não existe cura, e esperar o tempo passar dói demais. O tempo dói. Meu coração dói.
Está chovendo. Pela janela posso ver, lá embaixo, as pessoas correndo, de capas e guarda chuvas. As árvores do parque estão todas molhadas, mais verdes. Engraçado, não gosto do meu quarto – das paredes, dos móveis – mas gosto demais das coisas que posso ver pela minha janela. Das coisas que estão fora dele, porque o que está aqui dentro eu acho muito parecido comigo. E eu não gosto de mim. Ou gosto? Não sei. Talvez pareça não gostar justamente porque gosto muito, então exijo demais do meu corpo, e as coisas erradas que ele faz – são tantas! – me fazem detestá-lo. A gente sempre exige mais das pessoas e das coisas que quer bem, as que queremos mal ou simplesmente não queremos nos são indiferentes.
Da vontade de mandar meio dúzia de gente tomar no c* e correr pra casa chorando, se trancar no quarto pra tomar um toddy e jogar Playstation até ficar vesgo. Isso de escolher qual cara eu vou vestir hoje fode com tudo. Sempre. É, eu confesso que não é exatamente a realidade que eu esperava encontrar. Talvez isso mude. Ou talvez eu só preciso de férias, um porre e um novo amor. Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia.